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Hazard, Villa, Howard… A nova tendência de craques gestores nos Estados Unidos

O futebol é um esporte que move paixões pelo mundo. Por suas equipes, alguns torcedores são capazes de fazer coisas que jamais fariam em qualquer outra situação, como fazer uma dívida grande apenas para ver seu clube do coração jogar do outro lado do mundo. Sabendo dessa paixão, não é de hoje que empresários, investidores e dirigentes fazem de tudo para transformar o amor de um povo pelo jogo ou por alguma instituição em dinheiro. Camisas comemorativas, programas de sócio, ações de marketing… Toda fonte de renda é aproveitada ao máximo por equipes de futebol ao redor do mundo e o esporte mais popular do planeta já virou, definitivamente, negócio.

Dessa forma, alguns empresários descobriram, nos Estados Unidos, um novo mapa da mina. O futebol, que já chegou a ser erradicado profissionalmente por lá, ganhou força com a chegada da Major League Soccer e hoje é um dos mais populares entre os norte-americanos. Estádios lotados, patrocínios e cotas de TV dão visibilidade às marcas, que por sua vez, contratam grandes jogadores para aumentar ainda mais o nome de seus clubes/empresa. De olho nesse mercado, outras ligas, paralelas à MLS, surgiram (algumas faliram), todas de olho em uma fatia desse bolo. O número de clubes profissionais também cresce e logo chegará aos três dígitos. Tem espaço e dinheiro para muita gente.

Ter um clube nos Estados Unidos pode ser muito caro ou muito barato. Depende da liga em que o proprietário quer colocar sua nova equipe. Na MLS, por exemplo, o preço passa dos 200 milhões de dólares, além das garantias de precisar construir estádio, centro de treinamentos e etc. Já na NISA (National Independent Soccer Association), hoje terceira divisão ao lado da USL League One, não existe um valor para associar uma franquia. A liga apenas precisa de um projeto consistente para aprovar ou não uma nova equipe e prefere que o dinheiro que seria usado para “comprar a vaga” seja usado no investimento do clube. Tem para todos os gostos, uma vez que os Estados Unidos é um país gigante, com inúmeras cidades populosas que não possuem time profissionais.

Mas as vezes, comprar uma franquia ou coloca-la em alguma liga não é o suficiente. Recentemente, apenas para citar um exemplo, o Lansing Ignite fechou as operações após um ano apenas na USL League One. Esse fato, alias, não é isolado, e acontece com muita frequência por lá. O motivo, quase sempre, é inviabilidade dos negócios, ou seja, dinheiro. Para tentar evitar que isso aconteça, os donos de franquia agora dificilmente entram no jogo sozinhos. Em geral, os clubes americanos possuem vários donos. Cinco, seis ou até dez sócios, dependendo do modelo adotado. Afinal, quanto mais gente investindo, mais dinheiro o clube vai ter.

David Beckham terá seu time jogando em 2020. (Reprodução Twitter Inter Miami).

NOVA TENDÊNCIA

Recentemente, talvez inspirados em David Beckham, várias estrelas do futebol mundial estão sendo convidadas a também ter suas próprias franquias na América do Norte, e quem sabe, lucrar com futebol, emprestando seus nomes, experiências e, claro, um pouco do dinheiro. Até mesmo esportistas de outros ramos, como James Harden e Russell Wilson, já investem no Soccer.

BECKHAM

O astro inglês “ganhou” uma franquia por um preço bem abaixo do normal ao aceitar jogar na liga, em 2007. Quando Becks se aposentou, em 2013, iniciou a busca de parceiros para colocar seu clube na liga e, finalmente, em 2020, o mundo conhecerá o Inter Miami CF.

DROGBA

Mais recentemente, Didier Drogba deixou o Montreal Impact, em 2016, e se junto ao Phoenix Rising, da USL, para ser jogador e um dos donos da equipe. Ele divide o controle acionário da franquia com mais 17 pessoas. Entre elas, o DJ Diplo, o vocalista do Fall Out Boy, Pete Wentz e o ex-jogador de baseball, Brandon McCarthy. Tanto investimento assim tem dado resultado. O clube foi vice-campeão da USL na temporada passada e na atual foi campeão da temporada regular.

HAZARD, DEMBA BA E CABAYE

O trio Hazard, Demba Ba e Cabaye nunca esteve em campo juntos. Mas fora de campo, inspirados pelo treinador/empresário Alexandre Gontran, os três resolveram embarcar em uma viagem rumo ao soccer e fundaram o 1904 FC. O nome é diferente, mas tem uma explicação sim. O numero 19 corresponde a letra S na ordem do alfabeto e o 4 corresponde a letra D. Assim, se “traduzirmos”o nome da equipe, seria San Diego FC, localizado na Califórnia.

A principio, o time jogaria a NASL, extinta em 2017, pouco antes da entrada da franquia. Após uma tentativa frustrada de entrar na USL, a NISA apareceu como uma solução e o 1904 resolveu apostar, sendo o primeiro clube filiado a nova liga. Na atual temporada, o time não conseguiu chegar aos playoffs, mas de acordo com Hazard, em entrevista ao ESPN FC, o projeto é, no futuro, construir um estádio e ser conhecido como um time que revela jogadores.

DONOVAN

Um dos maiores e para muitos o maior jogador americano de todos os tempos, Landon Donovan também terá um time para chamar de seu a partir de 2020. O San Diego Loyal SC chegará para a cidade californiana para rivalizar com o 1904 e também para preencher o vazio deixado pela saída do San Diego Chargers, da NFL, que se mudou para Los Angeles. Mas ao contrário do time de Hazard, o Loyal entrará na USL Championship.

Donovan terá ao seu lado mais dois investidores, que já planejam a construção, no futuro, de um estádio na cidade.

Donovan também irá colocar seu time em campo na temporada de 2020. (Reprodução USL Championship).

TIM HOWARD

Fundado em 2018, o Memphis 901 tem três donos e o ex-goleiro da seleção americana, Tim Howard, é um deles. O americano se tornou um dos sócios da franquia antes mesmo de encerrar a carreira como profissional defendendo o Colorado Rapids. Na temporada 2019, sua primeira jogando oficialmente, o time não foi bem e venceu apenas nove partidas na USL Championship.

DAVID VILLA

O mais recente exemplo de craque/gestor é o atacante espanhol David Villa. Pouco antes de anunciar sua aposentadoria, o jogador que passou quatro temporadas defendendo o New York City, anunciou que vai ter sua própria equipe na USL e em Nova Iorque. O Queesborough FC, localizado no bairro do Queens, chegará oficialmente em 2021 e já tem planos para construir seu próprio estádio na cidade.

Com a chegada do Queensborough, Nova Iorque passará a ter três times profissionais: New York City, New York Cosmos e o próprios Queensborough FC. Além deles, o New York Red Bulls, localizado na cidade vizinha de New Jersey, também será um rival local.

Falando sobre essa nova tendência, o jornalista Júnior Ribeiro, especialista em soccer, falou ao Território MLS: “A forma como é estruturado o futebol dos Estados Unidos permite investimentos em diversos níveis, facilitando ex-atletas a serem donos de clubes, por exemplo”, comentou. “É um cenário diferente do que é visto na Europa, onde pessoas de negócio e do ramo tendem a gerenciar clubes de futebol. Nos Estados Unidos, ainda que com a ajuda de outras pessoas, os ex-jogadores encontram um meio para investir e ter um retorno, na medida do possível”, disse.

“Hoje é melhor ter um time na USL do que na quarta divisão da Espanha, por exemplo. Embora tenha a dinâmica de acesso, nos Estados Unidos o processo de gerenciar uma equipe parece ser bem mais simples”, completou.

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