Três expulsões nos últimos quatro jogos. Orlando City permitiu que fator emocional falasse mais alto e atrapalhasse desempenho dentro de campo.
Times brigadores, guerreiros, costumam ganhar o coração dos torcedores. De fato, quando a arquibancada percebe toda a entrega dos jogadores dentro de campo, energia e sintonia entre torcida e atletas não faltam.
O elenco do Orlando City em 2020 apresentou exatamente esse cenário: Muita entrega em campo, disposição nas disputas e, claro, vitórias. O time caiu nas graças da cidade como talvez nunca antes tivesse acontecido e não é por menos, uma vez que fez por merecer tal carinho.
No entanto, o mesmo espírito de luta que colocou o Orlando City em boas condições na temporada foi o que acabou eliminando e culminando as chances de título da equipe.
Se voltarmos para a final do MLS is Back, onde o Orlando perdeu para o Timbers por 2 a 1, veremos um time que chegou embalado após eliminar LAFC e Minnesota, e que claramente sentiu o peso do jogo. Normal, afinal de contas, era a primeira decisão da história da franquia.
Durante a temporada regular, o time se reencontrou após a derrota e seguiu fazendo campanha sólida. Venceu boas equipes, como Sporting Kansas City e Columbus Crew e terminou a temporada com a quinta melhor campanha entre os 26 times da liga.
No entanto, na reta final, principalmente após o jogo contra o Columbus Crew, a empolgação e a garra dos jogadores do Orlando City se transformaram em “pilha” e o time não soube mais se encontrar emocionalmente.
Quando Nani foi expulso de campo injustamente contra o Crew, os jogadores se desesperaram, se sentiram roubados, mas ainda assim venceram o jogo. Na partida seguinte, no entanto, o Orlando recebeu o Nashville, esteve à frente do placar em duas oportunidades, mas tomou a virada no fim do jogo.
Entrando nos playoffs, a batalha campal contra o New York City mostrou que o time estava psicologicamente perdido. Toda e qualquer falta que não fosse apitada a favor gerava uma imensa confusão e bate boca entre os atletas. Numa dessas, o brasileiro Ruan chutou Mackay-Steven, do NYCFC, e foi expulso de campo, deixando time com um a menos durante toda a prorrogação.
O Orlando passou naquele dia e se classificou, mas poucos sabem explicar como. Os jogadores se superaram e conseguiram vencer um adversário que tinha um jogador a mais e era superior tecnicamente na partida. Além do controle emocional, o futebol do Orlando também desapareceu nos playoffs.
Contra o Revolution, o mesmo cenário. Reclamações contra a arbitragem, muito bate boca e expulsão. Dessa vez, Mauricio Pereyra, num carrinho completamente desproporcional. Mas diferentemente da partida contra o New York City, que tem um bom time mas que ainda precisa de ajustes, o Revolution, do técnico mais vencedor da história da MLS, não perdoaria os erros do time da Flórida.
O Orlando tem um bom time, um grande técnico e, dentro de campo, precisa de poucos ajustes para melhorar ainda mais em 2021. No entanto, o fator psicológico da equipe precisa ser rapidamente reconstruído e melhorado para que o “destempero” dos atletas, quase todos experientes, não volta a atrapalhar os objetivos da equipe.
*A coluna “Opinião TMLS” não reflete, necessariamente, o pensamento do portal “Território MLS” e de responsabilidade de seu autor.
(Capa: Imago Images)