A MLS está de volta — e, desta vez, com impacto direto na Copa do Mundo de 2026. O retorno da liga não marca só o início de mais uma temporada. Representa uma vitrine decisiva para jogadores que sonham com vaga na seleção masculina dos Estados Unidos, agora comandada por Mauricio Pochettino.
Com o Mundial sendo disputado em casa, o técnico argentino ampliou o olhar sobre quem atua no próprio país. Em agosto passado, ele foi direto:
“Precisamos dar valor à MLS. O jogador pode render na seleção atuando lá. Não é necessário ir à Europa.”
A fala mudou a percepção interna. A liga, que já vinha em crescimento técnico e estrutural, passou a ser tratada como caminho legítimo até a Copa.
E o tempo aperta.
Os amistosos contra Portugal e Bélgica, em março, funcionam como último teste coletivo antes da definição da lista final.
Goleiros: disputa aberta pela camisa 1
Matt Freese — New York City FC
Freese saiu da promessa para a titularidade em tempo recorde. Estreou na seleção principal em 2025 e fechou o ano como dono da posição, com 13 jogos.
Formado no Philadelphia Union e lapidado em Harvard, ganhou confiança rápida da comissão técnica.
Agora, tenta manter o nível enquanto busca levar o NYCFC novamente às fases decisivas da MLS Cup.
Matt Turner — New England Revolution
Titular dos EUA no Catar, Turner corre atrás do prejuízo. A passagem pela Inglaterra rendeu experiência — e uma FA Cup —, mas não minutos suficientes.
De volta ao Revolution, onde viveu o auge, aposta na retomada. O novo ciclo do clube, com Marko Mitrović e a liderança técnica de Carles Gil, pode recolocá-lo no topo.
Zaga: experiência e afirmação
Tim Ream — Charlotte FC
Veterano, capitão e líder. Perto dos 39 anos, Ream segue competitivo em alto nível.
Depois de surpreender como titular na Copa de 2022, mantém espaço pela leitura de jogo e qualidade na saída de bola. No Charlotte, carrega também a missão de elevar o patamar do time nos playoffs.
Miles Robinson — FC Cincinnati
Força física e imposição aérea definem Robinson. O zagueiro tenta virar a página da lesão no tendão de Aquiles que o tirou do Mundial passado.
All-Star e presença constante no Best XI, quer alinhar sucesso coletivo do Cincinnati com a volta definitiva à seleção.
Tristan Blackmon — Vancouver Whitecaps
A evolução de Blackmon em 2025 foi brutal. Virou All-Star, entrou no Melhor XI e levou o prêmio de Defensor do Ano da MLS.
Pilar da defesa do Vancouver nas campanhas continental e doméstica, ganhou minutos com Pochettino. A regularidade em 2026 será decisiva para subir na rotação do elenco nacional.
Laterais ofensivos ganham força
Max Arfsten — Columbus Crew
Arfsten é um dos casos preferidos de Pochettino. Ala agressivo no sistema do Crew, empilhou títulos recentes e respondeu rápido na seleção.
Foram 16 jogos e cinco assistências em 2025. Versátil, intenso e taticamente disciplinado, surge como alternativa real — até sonhando com vaga de titular.
A mudança de comando técnico no Columbus será o primeiro grande teste.
Meio-campo: talento e concorrência pesada
Sebastian Berhalter — Vancouver Whitecaps
De coadjuvante a peça-chave. Sebastian explodiu na última temporada e ganhou espaço na seleção.
Inteligente, combativo e especialista em bola parada, acumulou assistências importantes. Mesmo assim, disputa vaga num dos setores mais congestionados do elenco.
Cristian Roldan — Seattle Sounders
Símbolo do Seattle, Roldan soma títulos, liderança e regularidade. Em 2025, elevou ainda mais o nível e virou nome confiável para diferentes funções.
Depois de não atuar no Catar, quer fechar o ciclo com protagonismo — ainda mais com jogos da Copa sendo disputados em estádios ligados à sua trajetória.
Diego Luna — Real Salt Lake
Luna virou personagem marcante após jogar com fratura no nariz e ainda dar assistência em amistoso.
Desde então, ganhou moral: 17 jogos pela seleção em 2025 e números sólidos na MLS. Com a camisa 10 do RSL, precisa transformar talento em consistência.
Jack McGlynn — Houston Dynamo
Pé esquerdo refinado, visão rara e bola parada letal. McGlynn é o cérebro do novo projeto do Houston.
Contratado para comandar o jogo, tem a missão de acelerar a reconstrução do Dynamo — e fortalecer sua candidatura ao Mundial.
Ataque: eficiência como credencial
Brian White — Vancouver Whitecaps
Regular e decisivo, White empilhou 24 gols em 36 jogos na última temporada.
Referência ofensiva do Vancouver, combina força física, mobilidade e faro de gol. Ainda assim, corre por fora na disputa pela vaga de centroavante, atrás de nomes baseados na Europa.
O caminho é claro: repetir números, conquistar títulos e transformar desempenho em convocação.
MLS como trampolim para a Copa
A temporada começa com peso extra.
• Cada rodada vale observação direta da comissão técnica
• Cada desempenho pode mudar a hierarquia da seleção
• Cada amistoso será tratado como decisão
Pochettino já deixou o recado: não importa onde o jogador atua — importa como atua.
A MLS, antes vista só como liga de desenvolvimento, hoje funciona como vitrine real para a Copa do Mundo.
E, com 2026 batendo à porta, não há mais tempo para esperar.
