Com passagem pelo Palmeiras, novo técnico do LAFC, Marc dos Santos compara o futebol do Brasil e MLS

Marc dos Santos com os donos do LAFC em Los Angeles (Celso Oliveira / Territorio MLS)

A passagem de Marc dos Santos pelo futebol brasileiro segue influenciando diretamente sua visão de trabalho na Major League Soccer. Em entrevista recente, o treinador explicou como a competitividade vivida no Brasil moldou sua mentalidade profissional — e por que esse aprendizado pode ser determinante para elevar o nível de exigência dentro da MLS.

Segundo Marc, o período no país foi relativamente curto, mas profundamente transformador. Foram cerca de três anos inserido em um ambiente de cobrança diária, onde resultado imediato é regra e treinadores estrangeiros raramente recebem margem para adaptação prolongada.

Fora da zona de conforto desde o primeiro dia

Marc chegou ao Brasil por meio do Desportivo Brasil e acredita que teria permanecido no país não fossem problemas legais enfrentados pelo clube à época, relacionados a irregularidades no mercado de jogadores. Ainda assim, o impacto da experiência foi duradouro.

Marc dos Santos conduz entrevista com repórteres em Los Angeles (Celso Oliveira / Territorio MLS)

Ele relembra que se adaptou rapidamente à cultura local, em um momento em que treinadores estrangeiros começavam a ganhar espaço no futebol brasileiro. O convívio com atletas do país foi determinante para sua formação. Para Marc, o jogador brasileiro carrega uma mentalidade competitiva difícil de replicar.

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“A ideia de que o único jogo que importa é o próximo veio do Brasil”, explicou. “Você se prepara para cada partida como se fosse a última.”

Essa abordagem, segundo ele, redefiniu sua forma de trabalhar. O futebol brasileiro o tirou da zona de conforto, exigiu resiliência e o obrigou a lidar com pressão constante — dentro e fora de campo.

Palmeiras, pressão e aprendizado institucional

Após a experiência inicial, Marc viveu um dos contextos mais exigentes de sua carreira ao trabalhar em uma instituição do porte do Palmeiras. A chegada não foi simples. Houve resistência, desconfiança e críticas abertas, especialmente por se tratar de um treinador estrangeiro.

O cenário, no entanto, se transformou em aprendizado. Marc afirma que foi nesse ambiente que desenvolveu ferramentas essenciais para gerir pressão, filtrar ruídos externos e manter foco absoluto em objetivos internos — competências que hoje considera indispensáveis para o alto rendimento.

MLS e futebol sul-americano: um degrau ainda existe

Ao avaliar o nível atual da MLS em comparação ao futebol sul-americano, Marc adota um discurso direto e sem ilusões. Ele acredita que os principais times da liga norte-americana já conseguem competir com equipes do continente, especialmente fora do topo da elite.

No entanto, quando o recorte se restringe aos grandes clubes sul-americanos, o treinador reconhece que ainda há diferença. O exemplo mais claro, segundo ele, foi o confronto contra o Flamengo no Mundial de Clubes.

“O resultado foi um empate, mas em termos de jogo eles estavam um nível acima”, afirmou. “E reconhecer isso é importante, porque mostra onde queremos chegar.”

Para Marc, a MLS já consegue enfrentar alguns clubes da Série A do Brasil em igualdade de condições. O que ainda falta é constância para competir, jogo a jogo, com a elite máxima do futebol sul-americano.

O papel do treinador no desenvolvimento do LAFC 2

Além do time principal, Marc também destacou sua atuação no desenvolvimento de jovens atletas dentro da estrutura do clube. Segundo ele, a definição dos principais talentos é uma responsabilidade compartilhada com o técnico do MLS Next e com o diretor da academia.

O processo envolve reuniões frequentes para identificar quatro ou cinco jogadores considerados prospects. Esses atletas passam a ser monitorados de perto e, em muitos casos, integrados à pré-temporada do elenco principal.

A lógica, explica Marc, é criar uma ponte real entre base e profissional, garantindo que o desenvolvimento técnico venha acompanhado de maturidade competitiva — algo que ele aprendeu a valorizar justamente no futebol brasileiro.

 

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Felipe Andrade: Afirmação no Houston Dynamo e admiração por Marcelo, Ganso

Felipe Andrade / (Felipe Andrade Instagram)

Em entrevista exclusiva ao Território MLS, o jovem defensor, cria do Fluminense, fala sobre o início no Fluminense, o aprendizado com Fernando Diniz, a experiência de disputar a Libertadores e o processo de adaptação ao futebol norte-americano.


Resiliência desde a base no Fluminense

Felipe Andrade, mesmo jovem, já construiu uma trajetória marcada por resiliência. Aos 15 anos, deixou o seu estado para se integrar à base do Fluminense — um passo decisivo que moldaria sua carreira.

“Cheguei ao clube com 13 anos e fui crescendo dentro do sistema, evoluindo a cada categoria. A base foi essencial para o meu desenvolvimento e para eu conseguir chegar ao profissional, o que aconteceu em 2021”, relembra o zagueiro.

A transição para o elenco principal coincidiu com a chegada de Fernando Diniz, técnico conhecido pela intensidade e ritmo acelerado de jogo. “No começo, senti a diferença, principalmente na parte física e técnica. O jogo era mais veloz, o contato maior, e precisei me adaptar. Mas com o tempo ganhei confiança e entendi melhor o estilo da equipe.”


Aprendizado com Fernando Diniz

A convivência com Diniz deixou marcas profundas em seu estilo de jogo.

“Ele é um treinador de altíssimo nível, com uma forma de jogar muito diferente, baseada na posse de bola e no controle do jogo. Cobra muito, mas também sabe conversar, passa confiança e te faz evoluir a cada treino”, explica Felipe.

Segundo o defensor, entender o “tempo” do jogo foi uma das maiores lições: “Ter paciência com a bola, saber quando acelerar e quando manter a posse — isso é o que ele mais valoriza. Depois que você se adapta, cresce muito.”


Libertadores e convivência com ídolos

Aos 20 anos, Felipe já havia vivido o que muitos sonham: jogar uma Libertadores e conquistar o título ao lado de lendas do futebol.

“Treinar e jogar com o Ganso, o Marcelo, o Felipe Melo… foi uma experiência enorme. Eles têm uma carreira incrível e ajudam muito os mais jovens. Observar esses caras no dia a dia foi uma aula”, comenta.

O título continental de 2023 marcou definitivamente seu nome na história tricolor. “Foi um ano maravilhoso, que vai ficar para sempre na minha memória e na do clube.”


Chegada à MLS e novo desafio no Houston Dynamo

A mudança para os Estados Unidos surgiu de forma natural, mas exigiu adaptação.

“A proposta chegou através do meu empresário. O Houston já vinha me observando e aceitamos o empréstimo, porque eu queria jogar mais. Aqui é outro futebol, outra cultura. No começo foi difícil, comecei na equipe reserva, treinando e me adaptando ao ritmo da liga”, conta.

O processo foi gradual, mas recompensador. “Com o tempo, o treinador começou a me dar mais oportunidades, inclusive em amistosos antes da temporada. Quando chegou minha estreia, pude jogar, ajudar a equipe e ganhar confiança. Esse período foi essencial para conquistar espaço no elenco principal e evoluir como jogador.”


A visão sobre a MLS e o estilo de jogo

Felipe já observava a Major League Soccer de longe, mas a vivência confirmou o que esperava.

“Eu já acompanhava alguns jogos e sabia que era um campeonato forte e muito físico. Depois que cheguei, percebi o quanto é competitivo. A liga cresce a cada temporada, com jogadores de alto nível e uma intensidade enorme.”

Ele destaca também o papel de compatriotas na adaptação. “Tive muita ajuda de jogadores brasileiros como o Arthur Júnior Russo, que me deram dicas sobre os jogos e o estilo da liga. A MLS é mais direta, enquanto o Brasileirão é mais técnico e cadenciado. Aqui você precisa pensar e agir rápido.”


Um defensor com alma ofensiva

Mesmo atuando na defesa, Felipe é conhecido pela chegada ao ataque. “Minha versatilidade vem de jogar como zagueiro e lateral no Fluminense. Aqui no Houston, o técnico Ben Olsen incentiva bastante esse lado ofensivo — subir, criar jogadas e buscar gols. Ele sempre pede que eu mantenha essa característica, ajudando a equipe em várias fases do jogo.”


Olho no futuro

Ainda em fase de consolidação na MLS, Felipe Andrade demonstra maturidade incomum para a idade. Da base de Xerém à disputa de uma Libertadores e agora em destaque no Houston Dynamo, o zagueiro brasileiro segue traçando um caminho guiado por aprendizado, humildade e evolução constante.

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João Klauss: o brasileiro que virou a alma do St. Louis City

João Klauss conversou com o Territorio MLS sobre sua carreira e atual passagem pelo St. Louis (João Klauss / Instagram)

Em entrevista exclusiva ao Território MLS, o atacante fala sobre a trajetória que o levou da base do Grêmio à Major League Soccer, o privilégio de fundar um clube do zero e sua conexão crescente com a comunidade de Saint Louis.

João Klauss: Da base gaúcha ao futebol norte-americano

João Klauss carrega no sotaque e na postura o que define um journeyman — aquele jogador moldado pela estrada. Natural de Criciúma e formado nas categorias de base do Grêmio, o atacante viveu de tudo antes de desembarcar nos Estados Unidos: passou por Alemanha, Finlândia, Áustria e Bélgica, acumulando estilos, idiomas e cicatrizes.

“Cada país tem uma cultura, uma maneira de trabalhar. No início é difícil, especialmente quando você não fala a língua, mas isso te fortalece. Hoje vejo o quanto essa experiência me fez crescer como pessoa e profissional”, conta.

A travessia europeia deu a Klauss o olhar de quem entende o futebol como linguagem universal — algo que viria a calhar quando recebeu o telefonema que mudaria sua carreira.

St. Louis SC: O convite que fundou um novo capítulo

O ano era 2022. Do outro lado da linha, Lutz Pfannenstiel, diretor esportivo do recém-criado St. Louis City SC e velho conhecido dos tempos de Hoffenheim. A proposta: liderar um projeto do zero em uma liga em plena ascensão.

“Quando o Lutz explicou o projeto, chamou muito minha atenção. Cheguei aqui com o estádio ainda em construção e o centro de treinamento também. Foi único — ver tudo nascer, participar das primeiras partidas, fazer parte da história desde o primeiro dia.”

Hoje, com status de Designated Player e símbolo da equipe, Klauss personifica o que St. Louis imaginava ao entrar na MLS: um clube enraizado na cidade, competitivo e com identidade.

Tática, adaptação e o choque de estilos

Com passagem por diversas ligas, o brasileiro é direto ao comparar o futebol americano com o europeu.

“A MLS é uma liga muito física, de muita transição. A maioria dos times joga assim, e isso reflete até a cultura esportiva dos Estados Unidos. Aqui os jovens já chegam com base atlética muito forte, devido à formação universitária e à educação física. É um perfil diferente do brasileiro, mas muito interessante.”

O desafio logístico também é real: fusos horários, longas viagens e jogos noturnos que testam o corpo e a mente. “Muitos não se adaptam. Às vezes você joga na Califórnia e chega em casa às seis da manhã. No fim da temporada, isso pesa”, admite.

Temporada de 2025: entre altos, baixos e um hat-trick inesquecível

Mesmo num ano irregular do St. Louis City, Klauss viveu momentos marcantes — como o hat-trick diante do LA Galaxy, o primeiro da história do clube.

“Foi um jogo especial. Apesar da temporada não ter sido como queríamos, esse tipo de momento fica. Deixei meu nome na história.”

 

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A campanha oscilante, agravada por trocas de comando técnico, expôs os bastidores de um elenco que precisou se reinventar. “Mudança de treinador é mudança de filosofia. Com o novo técnico, o grupo se reencontrou e manteve a mentalidade forte, mesmo fora dos playoffs.”

O líder dentro e fora de campo

Aos 28 anos, Klauss se transformou em referência dentro do vestiário e fora dele. Além da braçadeira simbólica, o brasileiro tem se dedicado a projetos de educação financeira e apoio à juventude local.

“Saint Louis é uma cidade apaixonada por esportes, muito comunitária. Eu acredito que o desenvolvimento passa pelos jovens — e que educação financeira deveria fazer parte da escola. Se eu conseguir inspirar uma criança ou um jovem a cuidar melhor do futuro, já valeu a pena.”

 

O futuro e a esperança de 2026

Com contrato até o fim de 2025 e opção de renovação, Klauss evita falar em planos, mas o sentimento é claro:

“Estou muito adaptado, feliz aqui. Tenho amigos; conheço a cidade. Mas a decisão é do clube. Por enquanto, é aguardar.”

E sobre a Copa do Mundo de 2026, que será disputada em solo americano, ele projeta:

“A MLS cresce a cada ano. Essa Copa pode ser um divisor de águas para o futebol no país. Espero que todos nós possamos viver isso de perto.”

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