Modelo implantado pelo Minnesota United: um “case” de sucesso?

Os Estados Unidos da América (EUA) têm uma cultura esportiva ímpar. Lançando mão do modelo de franquias, as quatro tradicionais ligas esportivas americanas (NFL, MLB, NBA e NHL) são exemplos de êxito financeiro e esportivo para o mundo todo. E isso não tem sido tão diferente na Major League Soccer, que se utiliza de muitas das mesmas estratégias das “Big Four”, a saber: franquias, conferências, teto salarial, investimentos no desporto universitário, Draft, modelo de rebuild e outras. E isso tem sido notável em algumas franquias em especial, como no caso do Minnesota United.

Histórico

As considerações relativas à existência de uma franquia nos arredores de Minneapolis-Saint Paul surgiram ainda em 2009, as quais culminaram no “nascimento” do NSC Minnesota em 05 de fevereiro de 2010. A estreia oficial ocorreu em 11 de abril do mesmo ano, em derrota por 2×0 para o Vancouver Whitecaps.

Naquela mesma temporada, veio a primeira competição oficial: a USSF Division 2 Professional League. Esta competição surgiu de um acordo entre a United Soccer League (USL) e a North American Soccer League (NASL). A equipe mandou seus jogos no National Sports Center, na cidade de Blaine, distante 32 quilômetros do núcleo urbano de Minneapolis-Saint Paul.

Em 2011, os “Loons” disputaram a NASL e, num processo rápido de mudança e foco, passou, em 2012, a se chamar Minnesota Stars FC, em um primeiro momento, e Minnesota United FC, em 2013. Esta última mudança foi impulsionada após a compra da franquia, efetuada por Bill McGuire, que, na época, era sócio minoritário do Minnesota Vikings, da NFL.

Com a compra, veio o crescimento e a ambição. Traçando o objetivo de ingresso na MLS, o Minnesota United passou a apresentar sólidas campanhas na NASL, culminando, inclusive, no título da temporada regular em 2014. Aliado a isso, a boa média de público e uma “efervescente” base de fãs atraíram o comissário da MLS, Don Garber. A cartada final veio em 2015, com a franquia de Minnesota vencendo a cidade de Sacramento, sendo, desse modo, escolhida para integrar a MLS a partir de 2017. O apoio de acionistas do Minnesota Twins (MLB), Minnesota Timberwolves (NBA) e Minnesota Wild (NHL) foi determinante para o êxito, não obstante a proposta rival de proprietários do Minnesota Vikings (NFL). O Estádio, Allianz Field, foi inaugurado em 2019.

Mas, dentro de campo, Minnesota também é um exemplo de franquia de expansão? Vejamos.

2017

            No primeiro ano da franquia na MLS, alguns indícios de erros foram rapidamente observados. O primeiro erro refere-se ao próprio apertado cronograma de ingresso na maior liga de futebol do país. Adrian Heath (oriundo de um processo de expansão em Orlando) foi contratado como técnico da equipe em 2016 e, hoje, enfatiza a pressa do ingresso: “Tivemos a oportunidade de surgir na MLS. Estávamos prontos? A resposta, provavelmente, [é] não”.

O segundo grande erro concentrou-se na contratação de jogadores internacionais relativamente caros. Vadim Demidov, John Alvbage, Rasmus Schuller, Bashkim Kadrii, Johan Venegas e Francisco Calvo foram alguns nomes que mostraram-se equivocados. Numa liga que preza por um verdadeiro “xadrez” financeiro bem delimitado, o Minnesota United levou um “xeque-mate”.

Por outro lado, incentivos financeiros dados pelo clube levaram os fãs ao TCF Bank Stadium, seu estádio provisório. A cultura de assistir jogos de um esporte “novo” foi ganhando força, mesmo com as condições climáticas adversas do estado do norte dos EUA.

Em campo, estreia contra o Portland Timbers e goleada sofrida por 5 a 1, a maior derrota de um time de expansão em sua estréia! Após 34 partidas, apenas 36 pontos foram conquistados, deixando a equipe na antepenúltima posição da Conferência Oeste. Os erros do primeiro ano cobraram um preço muito caro!

2018

            As duras lições da temporada inaugural foram as responsáveis pela promoção de mudanças radicais nos “Loons”. Vários jogadores não retornaram ao elenco e outros chegaram, dentre os quais Darwin Quintero, primeiro jogador designado da história da equipe, advindo do América do México. Quintero liderou a equipe na temporada, tanto em gols (11) como em assistências (15).

            Dentro de campo, lesões atrapalharam, como as de Kevin Molino e Ethan Finlay, que ocorreram ainda no início da temporada. E a defesa, que havia sofrido 70 gols em 2017 não poderia piorar, certo? Errado! 71 bolas entraram nas redes de Minnesota e os fãs presenciam um verdadeiro horror defensivo. As críticas pesaram sobre Heath, mas o alto escalão do clube afirmou que confiava na continuidade de seu técnico, pretendendo moldar um elenco para o seu manager a partir de 2019. O próprio treinador, ainda no final da temporada de 2018, passou a ser adepto de um futebol mais compactado, onde os passes ganharam realce e a defesa passou a ganhar destaque por parte dos dirigentes.

            Os torcedores fizeram sua parte, frequentemente lotando as arquibancadas no estádio, mesmo com resultados predominantemte adversos. Um exemplo foi na derrota para o Los Angeles Galaxy, de Zlatan Ibrahimovic, onde exatos 52.242 torcedores compareceram.

            Na classificação, o United fez campanha semalhante a 2017: 36 pontos em 34 partidas e décima colocação na Conferência Oeste. Os playoffs eram vistos como algo distante, ainda mais com a campanha decepcionante fora de casa: apenas uma vitória.

Allianz Field, casa do Minnesota United.

2019

            2019 chegou e, com ele, veio o desejo de se contruir uma “cultura vencedora”. Buscando uma identidade a partir de um rebuild, tão comum nos esportes americanos, o Minnesota United se via obrigado a acertar em suas contratações. O goleiro Vito Mannone (Reading FC), os zagueiros Ike Opara (Sporting Kansas City) e Romain Metanire (Reims) e os meio-campistas Jan Gregus (FC Copenhagen) e Ozzie Alonso (Seattle Sounders) chegaram, mostrando que começar a “arrumar a casa” passaria, inevitavelmente, pelo setor defensivo.

            O processo de reconstrução passou a dar frutos, sobretudo em sua defesa, que apresentava uma nótavel solidez, com ou sem a bola. Metanire desmonstrara segurança e liderança, Opara mostrara força no jogo aéreo e Gregus passara a mostrar um bom repertório na tomada de campo, através de uma rápida transição.

Por outro lado, ajustes no ataque ainda não eram tão visíveis, com ênfase na falta de produtividade de Quintero e Robin Lod. Além disso, Calvo, então capitão da equipe, se transformou num problema para a equipe, dentro e fora de campo. A atitudade de Minnesota? Mandar para o Chicafo Fire via troca, evidencia uma mudança de postura quando comparada com anos anteriores.

Os acertos trouxeram resultados: 53 pontos na temporada regular, quarta posição na Conferência Oeste e classificação para os playoffs assegurada. No mata-mata, a solidez da defesa não foi párea para Ibrahimovic e companhia. Mas, a equipe brigou em outra frente. Na U.S. Open Cup, chegou a final, sendo derrotada para o forte time do Atlanta United.

Os “quases” de 2019 não foram vistos como problemas, mas como resultados de uma evolução que já contava com jogadores e comissão técnica calejados, como Mannone e Opera, eleitos, respectivamente, como goleiro e defensor do ano.

2020

            Na atual temporada, Minnesota, aparentemente, não tem grandes problemas a corrigir. O técnico Heath foi mantido com respaldo, o atacante Luis Amarilla tem se mostrado como uma grande surpresa, Molino tem evoluído e a resiliência parece uma característica da equipe em jogos de muita pressão. Reforços chegaram, como o malinês Bakaye Dibassy.

Na temporada regular interrompida pela pandemia de COVID-19, a equipe começou vencendo três partidas e empatando outras duas, não conhecendo, ainda, a primeira derrota. No MLS is Back, por sua vez, está classificado para as semifinais, onde encarará o Orlando City nesta quarta-feira (05), às 21h00 (horário de Brasília).

Em suma…

            O Minnesota United parece seguir a cartilha das franquias dos esportes americanos. Cometem erros esportivos e financeiros, mas, acima de tudo, assume uma postura defensiva, que preza por “reconstruções” afim de se manter proeminente em anos vindouros. Para isso, a manutenção de elenco e comissão técnica, a montagem de uma infraestrutura de alto padrão e a construção de uma cultura vencedora na cidade parecem se fazer presentes pelos lados de Minneapolis-Saint Paul e podem inspirar futuras franquias que objetivam mais que a posição de coadjuvante na MLS.

(Foto 1: Reprodução Twitter/Major League Soccer)
(Foto 2: Reprodução Twitter/Allianz Field)

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