As últimas rodadas da MLS certamente chamaram a atenção de Mauricio Pochettino. Jovens estrelas brilharam, mas jogadores que já estão no radar da seleção dos Estados Unidos também vivem grande fase e tentam dificultar ainda mais essa disputa.
A nova geração da seleção dos Estados Unidos é um pouco diferente da atual. Muitos jogadores da geração passada foram formados em clubes europeus, como Christian Pulisic (Borussia Dortmund), Weston McKennie (Schalke 04), Tim Weah (PSG) e por aí vai…
Agora, muitos dos principais talentos norte-americanos estão sendo revelados dentro da própria MLS. Cavan Sullivan (Philadelphia Union), Julian Hall (New York Red Bulls), Zavier Gozo (Real Salt Lake), Benjamin Cremaschi (Inter Miami) e muitos outros são exemplos claros disso. Claro que ainda existem atletas sendo desenvolvidos em academias europeias, como Mathis Albert (Borussia Dortmund) ou Noahkai Banks (Augsburg), mas os clubes norte-americanos vêm entendendo cada vez mais a importância das categorias de base.
No Real Salt Lake, por exemplo, o clube rapidamente percebeu o talento de Zavier Gozo e colocou o jovem para se desenvolver junto da equipe principal. Desde a temporada passada, o atacante vem sendo um dos destaques do time, muitas vezes dividindo protagonismo com Diego Luna, figurinha carimbada nas convocações de Mauricio Pochettino.

Mesmo assim, nas últimas rodadas, com Luna iniciando no banco de reservas, Gozo chamou a responsabilidade e anotou dois gols na vitória do Salt Lake sobre o Houston Dynamo. O jovem foi o melhor em campo e já chegou a 6 gols na temporada. Somadas às três assistências distribuídas, já são nove participações para gol em apenas 13 jogos. Ele é o artilheiro e líder de assistências da equipe na temporada.
Mesmo retornando recentemente de lesão, Diego Luna também vive grande fase individual. O camisa 10 soma 4 gols e 1 assistência em apenas 608 minutos disputados na temporada e segue sendo o principal nome técnico do Real Salt Lake, Pablo Mastroeni, além de já parecer praticamente garantido na lista final da USMNT para a Copa do Mundo.
No Philadelphia Union, um caso diferente também vem chamando atenção em Chester. Cavan Sullivan estreou na equipe principal com apenas 14 anos ainda sob o comando de Jim Curtin e rapidamente passou a ser tratado como um dos maiores prospectos da história recente do futebol norte-americano.
Mesmo cercado de expectativa, Sullivan teve minutos controlados durante boa parte de sua trajetória recente, alternando entre a equipe principal, o Philadelphia Union II, treinamentos com o Manchester City e participações pelo USYNT. Ainda assim, toda vez que entrou em campo pela equipe principal, mostrou capacidade de mudar jogos.
E é exatamente isso que acontece nas últimas rodadas. Na derrota para o Orlando City, por exemplo, Sullivan entrou ainda no primeiro tempo após a lesão de Jovan Lukic e mudou completamente a partida. O Philadelphia Union buscou um empate após estar perdendo por 3 a 1, muito graças ao impacto do camisa 6, que marcou seu primeiro gol na MLS e comandou ofensivamente a equipe durante a reação.
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Mesmo vivendo temporada extremamente instável, o Union já vê Sullivan se o jogador com mais participações para gols do elenco ao lado de Milan Iloski, mesmo com muito menos minutos. O meia soma 3 gols e 4 assistências, além de liderar a equipe em passes decisivos e grandes chances criadas, ao lado do também jovem Frankie Westfield.
Outro clube que vem sendo referência no desenvolvimento de jovens em 2026 é o New York Red Bulls, comandado pelo ídolo da USMNT, Michael Bradley. O treinador conquistou a MLS Next Pro na temporada passada com o NYRB II e agora começa a integrar diversos talentos ao elenco principal.
Matthew Dos Santos (17), Adri Mehmeti (17) e Julian Hall (18) são alguns dos casos mais impressionantes em um elenco que possui média de idade de apenas 24 anos, a menor da MLS.
Porém, quem mais vem chamando atenção é Julian Hall. Nas últimas rodada, o atacante se tornou o jogador mais jovem a marcar um hat-trick na história da MLS e garantiu a vitória do NYRB sobre o Columbus Crew, saindo como melhor em campo e levando a bola para casa.

Mesmo cercado por nomes experientes como Emil Forsberg e Eric Maxim Choupo-Moting, Hall vem sendo o principal goleador da equipe e já disputa a artilharia da MLS com Lionel Messi. O atacante também desperta interesse de gigantes europeus como Barcelona, Bayern de Munique e RB Leipzig.
Fora de campo, porém, Hall também vive uma disputa importante. O atacante possui ascendência polonesa e frequentemente recebe investidas da federação europeia. Recentemente, sua mãe apareceu publicamente segurando uma camisa da Polônia com o nome “Zakrzewski”, sobrenome da família, enquanto o próprio jogador já afirmou admirar Robert Lewandowski e sonhar em seguir seus passos.
O que mantém os norte-americanos mais tranquilos é o forte vínculo de Hall com o USYNT. O atacante já atuou em diversas categorias da seleção de base e possui relação próxima com outros nomes da nova geração, como Sullivan, Albert e Mehmeti.
Mesmo com a ótima fase dos jovens talentos, a disputa por espaço na lista final de Mauricio Pochettino segue extremamente complicada. Outros nomes já consolidados dentro do radar da USMNT também vivem grande momento na MLS.
É o caso de Sebastian Berhalter, destaque do Vancouver Whitecaps. Atuando como segundo volante, o meio-campista soma 7 gols e 4 assistências na temporada, além de ser considerado um dos melhores cobradores de bola parada da MLS atualmente.

Outro nome em grande fase é Max Arfsten, do Columbus Crew. Frequentemente convocado por Pochettino como lateral-esquerdo ofensivo, Arfsten ampliou ainda mais seu repertório em 2026 após mudanças táticas promovidas pela equipe de Ohio.
Com a lesão de Wessan Abou Ali, o Crew passou a utilizar Max Arfsten e Hugo Picard invertidos pelos lados, permitindo que ambos atacassem mais zonas internas e aparecessem com frequência dentro da área. O resultado vem sendo imediato: Arfsten já soma 4 gols e 4 assistências na temporada e vive o melhor momento de sua carreira.
Com apenas 26 vagas disponíveis para a Copa do Mundo de 2026, jovens como Cavan Sullivan, Julian Hall e Zavier Gozo seguem pressionando Mauricio Pochettino até o último momento para talvez protagonizar uma das grandes surpresas da convocação no dia 26 de maio, em Nova York, no evento organizado pela U.S. Soccer.