Técnico com mais títulos na história das Águias, o brasileiro irá definir o seu futuro após a Copa do Mundo de 2026
André Jardine não é mais o treinador do Club América, do México. O clube anunciou a saída do brasileiro na noite desta quarta-feira (03). Segundo informações da ESPN MX, os donos da equipe optaram por uma mudança no comando técnico, contrariando a vontade do presidente, Santiago Baños. Vale dizer, que ele é o técnico com mais títulos na história das Águias (6).
Nisso, outras informações apontam que Jardine definirá o seu futuro logo após a Copa do Mundo de 2026, com o foco sendo o futebol europeu, mas sem fechar as portas para um retorno ao Brasil, desde que seja para um projeto estruturado. Ao que tudo indica, o sucessor de Jardine será Guillermo Almada, que recentemente esteve a frente do Real Oviedo, da Espanha.
https://x.com/ocrismoraes/status/2062285744673058872?s=20
JARDINE DEIXA O CLUB AMÉRICA COMO UMA LENDA
A chegada de André Jardine ao Club América, em meados de 2023, foi recebida com certa desconfiança por parte da torcida e da imprensa mexicana. Apesar do bom trabalho realizado no Atlético San Luis e da medalha de ouro conquistada com a Seleção Olímpica do Brasil, muitos questionavam se ele teria experiência suficiente para comandar o clube mais popular e mais vencedor do México. A resposta veio rapidamente dentro de campo.
Logo em seu primeiro torneio, o Apertura 2023, Jardine levou o América ao título da Liga MX, encerrando um período de cobranças e recolocando o clube no topo do futebol mexicano. Mais do que conquistar troféus, o treinador brasileiro implementou uma equipe equilibrada, intensa e competitiva, capaz de controlar os jogos e manter alto nível de desempenho durante toda a temporada.
O sucesso inicial foi apenas o começo. Sob seu comando, o América conquistou o bicampeonato nacional ao vencer também o Clausura 2024 e, posteriormente, alcançou um feito histórico ao levantar o Apertura 2024, tornando-se tricampeão consecutivo da Liga MX. O clube não conseguia uma sequência semelhante havia quase quatro décadas, e Jardine entrou definitivamente para a história da instituição. Além dos títulos nacionais, também conquistou competições como o Campeón de Campeones, a Supercopa da Liga MX e a Campeones Cup, ampliando ainda mais sua coleção de troféus no futebol mexicano.
Os números ajudam a dimensionar seu impacto. Em pouco mais de uma centena de partidas, Jardine acumulou um dos melhores aproveitamentos da história recente do América, com ampla maioria de vitórias e uma regularidade raramente vista em um clube submetido a tanta pressão. Seu trabalho valorizou jogadores como Álvaro Fidalgo, Luis Malagón, Henry Martín, Alejandro Zendejas e outros atletas que se transformaram em peças fundamentais de uma das gerações mais fortes do clube no século XXI.
Além dos recordes, Jardine mudou a percepção sobre treinadores brasileiros no futebol mexicano. Sua capacidade de adaptação, liderança de grupo e leitura tática fizeram dele uma referência dentro da Liga MX. O América passou a ser apontado como o principal time do país e uma das equipes mais fortes da Concacaf, disputando títulos de maneira constante e criando uma cultura vencedora que se refletiu tanto nos resultados quanto na identidade da equipe.
O legado de André Jardine vai além dos troféus. Ele transformou um elenco talentoso em um time de época, recolocou o América em uma posição dominante no futebol mexicano e conquistou um status raro para um treinador estrangeiro: o de ídolo do clube. Para muitos torcedores e analistas, seu trabalho já o coloca entre os maiores técnicos da história americanista, responsável por uma das eras mais vitoriosas e consistentes já vistas em Coapa.