Armadores clássicos, os chamados camisas 10, aparecem com mais frequência na MLS na comparação com o Brasil. Inclusive, o mercado brasileiro passou a olhar para a liga dos Estados Unidos como fonte para este tipo de atleta

Existe um “problema” na formação de jogadores no futebol brasileiro. Outrora rico em camisas 10, o Brasil passou a privilegiar o fomento de meio-campistas que atuam mais abertos pelos lados do campo e que  –  como os comentaristas atuais gostam de exaltar  –  fazem o “facão”, que nada mais é do que cortar na diagonal rumo à grande área.

Dentro desta linha de pensamento, o futebol argentino não sofreu com esta transformação e seguiu produzindo jogadores com capacidade de desempenhar a função clássica do camisa 10, aquele que organiza o time, distribui as jogadas atuando de forma centralizada um pouco atrás dos atacantes e chega à frente para as finalizações.

Como os clubes da Major League Soccer aparecem com boa capacidade financeira em relação à maioria dos brasileiros, o trabalho de prospecção desse tipo de jogador fica mais fácil, afinal quem não gostaria de ter bons salários, infra-estrutura de trabalho e ainda jogar em uma liga que, cada vez mais, assume o papel de ponte para a Europa?

Qualidade portenha

Não é preciso exercitar muito a memória. Apenas em um passado recente até os dias atuais, os clubes da MLS investiram alguns milhões de dólares na contratação de jogadores como Diego Valeri, Sebastián Blanco, Máxi Moralez (de volta ao Racing, seu clube formador), Alejandro “Kaku” Romero (este, argentino de nascimento e paraguaio naturalizado) e, mais recentemente, Emanuel Reynoso, Luciano “Lucho” Acosta, Sebastián Driussi, Tomás Pochettino e Marcelino Moreno (dois últimos emprestados por clubes da liga dos Estados Unidos para Fortaleza e Coritiba, respectivamente).

Sebastián Blanco é o maestro do Portland Timbers. (Reprodução/Instagram/Sebastián Blanco)

Ainda é possível acompanhar os casos dos uruguaios Nico Lodeiro e Mauricio Pereyra, o cerebral organizador de jogadas do Orlando City, o espanhol Carles Gil, habilidoso meia-atacante do New England Revolution e do húngaro Dániel Gazdag, camisa 10 do Philadelphia Union e que chegou sem alarde nos Estados Unidos e já marcou 26 gols em 57 jogos.

Sobram exemplos na Major League Soccer de atletas com este perfil, enquanto no Brasil, o mercado busca incessantemente por este jogador. Particularmente, temos poucos: Renato Augusto, Paulo Henrique Ganso, Raphael Veiga e Éverton Ribeiro estão dentro desta ideia de jogo.

Óbvio, que não estou levando em conta a idade dos jogadores. O mercado brasileiro busca por um tipo diferente de jogador quando olha para a América do Sul, quer o atleta pronto, enquanto a MLS tem como característica desenvolver o mesmo e, posteriormente, revender para a Europa.

O Vasco e a MLS

Desde que a 777 Partners adquiriu o controle do Vasco do Gama, o gigante brasileiro tem estreitado laços com o futebol dos Estados Unidos. Neste mês, os cariocas excursionaram pelo país da América do Norte, onde enfrentaram o River Plate e o Inter Miami, na Flórida.

Com seu poder de investimento realçado com a chegada da 777, o Vasco busca reforçar seu plantel para desempenhar um bom papel na série A do Campeonato Brasileiro e uma das necessidades detectadas pelo técnico Maurício Barbieri está na necessidade de contar com um “camisa 10”.

Fato é que, nos últimos dias, dois meia-atacantes argentinos e que atuam na MLS foram especulados como possíveis alvos do Vasco: primeiro, Emanuel Reynoso, do Minnesota United e, posteriormente, Luciano Acosta, do FC Cincinnati.

Reynoso custou cerca de US$ 5 milhões pagos pelo Minnesota ao Boca Juniors, em 2020. Desde então, soma 71 jogos com a camisa dos Loons, balançou as redes em 16 oportunidades e distribuiu o mesmo número de assistências.

Acosta está em sua segunda passagem na MLS. Em 2016, Lucho foi contratado pelo D.C. United junto ao mesmo Boca Juniors. Como se destacou nos Estados Unidos, teve seus direitos federativos adquiridos e permaneceu até 2020, quando trocou o clube da capital dos EUA pelos mexicanos do Atlas. Um ano depois, o FC Cincinnati comprou Acosta ao pagar quase US$ 3 milhões pelo jogador.

New York Red Bulls FC Cincinnati
Luciano Acosta (esquerda), o camisa 10 do FC Cincinnati. (Reprodução/Twitter/FC Cincinnati)

Desde então, o camisa 10 virou o dono do time. Formando um dos ataques mais produtivos da MLS junto com o ex-sãopaulino Brenner e Brandon Vázquez, Acosta se tornou o rei das assistências no Cincinnati, com 20 passes decisivos e 18 gols. Em números gerais, somando duas duas passagens, o argentino conta com 48 assistências e 42 gols anotados.

Dois já foram

Apenas na atual janela de transferências, duas movimentações dentro deste espectro aconteceram envolvendo a MLS e o Brasil. Contratado em 2021 pelo Austin FC, que fazia sua primeira temporada na Major League Soccer, Tomás Pochettino acabou não se adaptando ao novo clube e acabou emprestado para o River Plate um ano depois. Aos 26 anos, Pochettino foi adquirido junto ao Austin pelo Fortaleza.

Marcelino Moreno chegou com bastante expectativa ao Atlanta United. Passando por um processo de reformulação que parece sem fim, incluindo trocas de treinadores, o argentino acabou pedindo para ser emprestado para o Coritiba. Moreno disputou 75 jogos pelo Atlanta, marcou 14 gols e deu 13 assistências.

A criatividade e a graça do futebol estão aí. Se os dirigentes brasileiros encontram dificuldades na hora de achar esses jogadores, os cartolas da MLS provam que estão mais vivos do que seus colegas tupiniquins.

(Capa: Reprodução/Twitter/Minnesota United)

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Jornalista, moro nos Estados Unidos desde 2006. Gosto de viajar com a família, conhecer estádios e arenas. MLS é o futuro e eu posso provar!

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