Quem é o culpado pela fase ruim do Atlanta United?

Foto: Divulgação/Major League Soccer

Desde a saída do treinador argentino Tata Martino, o time do Atlanta United nunca mais foi aquela máquina que encantou os Estados Unidos em 2017 e 2018, conquistando sua primeira MLS Cup com apenas dois anos de franquia. Mesmo assim, a chegada de Frank de Boer, muito criticada por sinal, manteve o time pelo menos competitivo. O futebol já não era o mesmo apresentado nos tempos de Tata, mas o Atlanta fez um 2019 sólido, conquistou a Campeones Cup, a US Open Cup e foi até a semifinal da conferência leste, quando foi eliminado pelo Philadelphia Union.

No entanto, a temporada 2020 está muito aquém do que o torcedor rubro-negro se acostumou a ver. O time até começou a temporada regular, em março, com duas vitórias. Porém, foram duas vitórias apertadas, ambas por 2×1 e contra Nashville e Cincinnati, disparados as piores equipes da liga. Na Concacaf Champions League, depois de passar pelo modesto Motagua, de Honduras, o Atlanta foi massacrado pelo América do México na partida de ida das quartas de final, perdendo por 3×0. Veio a pandemia, tudo parou e quando chegou o MLS is Back, o rubro-negro mostrou algo que poucas vezes se viu: Muita fragilidade defensiva, pouca inspiração e uma equipe 100% dependente de seus dois principais jogadores; Pity Martinez e Ezequiel Barco. O resultado não poderia ter sido diferente: Eliminação com três derrotas, uma delas para o Cincinnati.

Com todo esse cenário caótico em um clube que entrou na competição como favorito, de quem é a culpa?

FRANK DE BOER

Muitos acusam o treinador como o principal culpado pela fase ruim do time. É claro que o Atlanta perdeu muito com a saída de Martino e a chegada do holandês, e isso deve ir para a conta. Técnica e taticamente o time piorou muito e os resultados, antes brilhantes, deixaram de ser tão bons assim. Mesmo em vitórias, o Atlanta nem sempre convenceu. No MLS is Back, de Boer se mostrou sem repertório e sem idéias. Insistiu em um esquema tático com três zagueiros que claramente não funcionou e morreu com ele até o último jogo. Desesperado, o treinador rodou o time, testou jogadores, mas não encontrou o caminho.

O pior é que ele já tinha demonstrado, em outras passagens, que não é um grande técnico. Se somarmos sua passagem pela Inter de Milão e pelo Crystal Palace, de Boer não durou nem 20 jogos no cargo. Mas com tudo isso contra o treinador, eu não o enxergo como o principal culpado, uma vez que, na temporada passada, ele conseguiu fazer um Atlanta United forte, mesmo jogando menos do que o time de seu antecessor.

DIRETORIA

Em minha modesta opinião, os grandes “vilões” e culpados pelo péssimo momento do time. A direção do Atlanta United tem seus méritos, claro, e montou um verdadeiro timaço no início da franquia. Os resultados provam que a montagem do primeiro elenco foi quase que perfeita. Só que um time tão bom sofreria assédio do mercado e o clube precisava estar pronto para repor suas peças. Quando Tata Martino saiu, trouxeram Frank de Boer, que como dito acima, conseguiu dar solidez ao time em um primeiro momento, mas é um treinador que diante de adversidades, mostra clara falta de repertório. De qualquer forma, parecia ter funcionado. Quando Almirón foi embora, Pity Martínez parecia ser a escolha óbvia, e caiu bem no time. Mas então, onde está a culpa dos dirigentes.

Se você desconsiderar os principais jogadores e o técnico, o restante do elenco do Atlanta United deixa muito a desejar. Jogadores menos famosos porém fundamentais foram negociados e as peças de reposição que chegaram sequer são comparáveis aos jogadores que foram embora. Para não me estender muito, citemos apenas três nomes: González Pirez, Nagbe e Gressel. Três titulares indiscutíveis e pilares da equipe e que foram negociados sabe-se lá o porquê. Talvez Pirez, que foi para o futebol mexicano, era difícil de segurar, mas Nagbe e Gressel foram trocados por dinheiro e uma vaga de jogador internacional. Trocar três titulares é até “normal” para a MLS, desde que você tenha substitutos a altura. Porém o Atlanta United apostou em jogadores que não conheciam a liga. O zagueiro Fernando Meza, do Tijuana e os meias Mulraney (Hearts) e Hyndman (Bournemouth) são bons jogadores. Porém, todos vieram de países diferentes e a diretoria do Atlanta trocou três titulares por três incógnitas. O banco de reservas então, nem se fala. Poucas opções, muitos jovens e quase ninguém capaz de mudar o time.

Para tentar apontar o culpado, chamei também o nosso comentarista Júnior Ribeiro para falar um pouco sobre a situação e concordamos em um ponto: O mercado foi ruim. Veja a análise do Júnior;

O Atlanta United colocou o próprio sarrafo nas alturas conquistando títulos e tendo visibilidade. Mas há um preço caro a se pagar com isso: corresponder às expectativas.

Não é apenas sobre Tata Martino e Almirón, já são águas passadas e é preciso superar. Outras saídas impactaram no desempenho do time: Parkhurst aposentou, Nagbe foi pra Columbus, González Pirez saiu, assim como Meram, Gressel e Villalba. Todos estes fazem falta. E quando sua reformulação tem como peça principal um jogador que se lesionou no 1° jogo da MLS, a situação virá caótica, já que Josef Martínez sempre resolvia.

Frank de Boer nunca agradou aos torcedores, mas como a temporada regular da MLS era longa, sempre havia tempo para se recuperar, dependendo sempre das individualidades. Porém, uma competição tiro curto costuma escancarar um trabalho capenga. Mas isso não é desculpa para um time que ainda tem Pitt Martínez e Barco. É necessário mudar.

Agora eu quero saber se você concorda conosco ou não. Deixe ai nos comentários. Como última reflexão, fica abaixo a escalação da última partida do Atlanta em 2019 e a última pelo MLS is Back. Compare e me diga se a diretoria errou ou não.

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