MLS e NWSL irão investigar dono de Real Salt Lake e Utah Royals por possível conduta racista

A última quarta-feira (26) foi um dia histórico nos esportes norte-americano. Atletas de diversos esportes optaram por não atuarem como forma de protesto pela violência policial contra negros nos Estados Unidos da América. MLS, NBA, WNBA, MLB e NHL foram impactados com o boicote dos esportistas.

O movimento foi iniciado com o boicote do Milwaukee Bucks na partida contra o Orlando Magic pela NBA. O estopim do movimento surgiu com o caso de Jacob Blake, de 29 anos, em Kenosha, no estado de Wisconsin, baleado quatro vezes pelas costas pelo policial Rusten Sheskey. Foram sete disparos efetuados.

Os atletas da Major League Soccer (MLS) mobilizaram-se pelas ações ocorridas e boicotaram cinco dos seis jogos promovidos no último dia 26. A exceção foi a partida entre Orlando City 3×1 Nashville SC.

Mas houve consequências do boicote. Dell Loy Hansen, dono do Real Salt Lake City (MLS), do Utah Royals (NWSL) e Real Monarchs (USL), não gostou das reações dos jogadores do RSL de não atuarem contra o LAFC. Fez acusações aos atletas e descreveu o protesto pacífico como “como se alguém te apunhalasse e você estivesse tentando descobrir uma maneira de puxar a faca e seguir em frente” em entrevista ao programa “Radio From Hell”, da KXRK 96.3FM, na manhã da quinta-feira (27).

Hansen ainda deixou uma reflexão sobre seu poder de investimento na equipe: “Perdi muito a vontade sobre o quanto eu quero investir no clube – comprar jogadores e desenvolver o time.”

As posições moralmente controversas adotadas por Dell Loy Hansen, dono do RSL, repercutiram pelo meio do futebol dos EUA. Jogadores e ex-jogadores se pronunciaram condenando as atitudes de Hansen. Jozy Altidore, atacante do Toronto FC, e Nick Rimando, ídolo do Real Salt Lake, onde atuou por 13 temporadas, que se aposentou em 2019, foram algumas das pessoas que condenaram as falas do mandatário.

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Nedum Onuoha, atual jogador do Real Salt Lake, mostrou sua frustração em entrevista a BBC. “Não quero estar aqui porque não estou aqui para jogar por alguém que não nos apoia. Nós estamos tentando criar uma conversa mais ampla, mas muitas das pessoas que estão no poder não [têm empatia] ou [simpatizam e] nem fazem nada. Elas se preocupam mais consigo mesmas”.

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A MLS e seu comissário Don Garber se pronunciaram sobre o caso:

Agradeço os esforços de Dell Loy Hansen para desenvolver o futebol norte-americano em Utah. Seu compromisso com a MLS, a NWSL e a USL, assim como o jogo no nível juvenil, tem sido significativo. No entanto, discordo totalmente dos comentários que ele fez hoje, da maneira como foram expressos, e eles não refletem a opinião do MLS.

Este é um momento para todos nós trabalharmos juntos na busca pela igualdade racial e justiça social. A Major League Soccer e todos os seus clubes continuarão apoiando e criando iniciativas que promovem mudanças reais.   

Só que as coisas pioraram, com o site The Athletic divulgando uma matéria produzida pelos jornalistas Christopher Kamrani, Sam Stejskal, Paul Tenorio e Meg Linehan em que é descrito todo um histórico racista de Dell Loy Hansen durante a sua carreira como proprietário do RSL.

A MLS emitiu um novo comunicado em que promete “tolerância zero” e investigações imediatas ao caso.

Estamos profundamente preocupados com as alegações feitas em um relatório publicado esta noite sobre a linguagem usada e a conduta do proprietário do Real Salt Lake, Dell Loy Hansen. A Major League Soccer tem tolerância zero para esse tipo de linguagem ou conduta e iniciará imediatamente uma investigação.

A NWSL também se pronunciou e deixa=ou clara a intenção de investigações com medidas cabíveis.

“As alegações sobre Dell Loy Hansen contidas nos relatórios publicados são chocantes e vão contra tudo o que a NWSL representa. Começaremos imediatamente uma investigação e, se esses relatórios forem comprovados, tomaremos as medidas adequadas.”

Uma venda forçada das franquias estabelecidas por Dell Loy Hansen na MLS e NWSL é possível? É sim, mas ainda levará algum tempo. As ligas parecem estar dispostas a irem a fundo na história e esclarecerem todos os pontos.

Fica a reflexão: as ligas cumprirão mesmo as promessas feitas anteriormente em que iriam se empenhar e estar ativas em possíveis situações de racismo?

(Foto: Reprodução Site/Major League Soccer)

(Foto de capa: Reprodução Site/Real Salt Lake)

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