O Território MLS acompanhou de perto a última Data FIFA da seleção dos Estados Unidos (USMNT) antes da convocação final para a Copa do Mundo 2026. E depois do que foi visto em Atlanta, algumas coisas deixam de ser dúvida e passam a ser definição.
🇺🇸 Como joga a seleção dos Estados Unidos de Pochettino
Somente após a Copa Ouro, Mauricio Pochettino iniciou de fato a preparação da seleção dos Estados Unidos para a Copa do Mundo 2026, implantando sua ideia de jogo no USMNT.
A identidade é clara: intensidade.
Os Estados Unidos pressionam de forma constante, principalmente no pós-perda, tentando recuperar rapidamente a bola e atacar em sequência, o famoso “Gegenpress”. O problema nunca foi a ideia e sim a execução.
Ao longo dos amistosos, a principal dificuldade apareceu de forma recorrente:
- contra-ataques sofridos
- bolas nas costas da defesa
- dificuldade de sustentar o ritmo por 90 minutos
Mas a melhor resposta para isso já apareceu dentro do próprio ciclo.
🔄 O melhor cenário: o sistema híbrido dos EUA
A melhor atuação da seleção dos Estados Unidos foi a vitória por 5 a 1 contra o Uruguai.
Naquele jogo, o time saia de um 3-4-2-1 no papel, mas funcionava como um sistema completamente híbrido na prática.
O funcionamento era claro:
- Alex Freeman alternava entre zagueiro e lateral direito
- Sergiño Dest avançava e atuava praticamente como ponta
- John Tolkin recuava e formava uma linha de quatro na fase defensiva
Ou seja, o USMNT alternava constantemente entre linha de três e linha de quatro.
O equilíbrio vinha da dupla Aidan Morris e Sebastian Berhalter.

Morris atuava com mais responsabilidade defensiva, enquanto Berhalter tinha mais liberdade, mas ambos conseguiam atacar e defender. Mais do que proteger a defesa, eram eles que ditavam o ritmo do jogo.
No ataque:
- Timothy Tillman jogava por dentro, próximo de Haji Wright, centroavante no jogo.
- Diego Luna era o jogador mais livre, flutuando por todo o setor ofensivo
Foi nesse modelo que os Estados Unidos tiveram sua atuação mais convincente no ciclo.
🧠 O que o sistema tático dos EUA mostra
O principal aprendizado é simples:
Não é sobre ter os melhores nomes, é sobre ter o melhor encaixe e ele já apareceu.
❌ O erro dos Estados Unidos contra Portugal
Contra Portugal, Pochettino mudou um pouco a estrutura e voltou ao 4-3-3.
A ideia fazia sentido: povoar o meio para competir contra um dos melhores meio-campos do futebol de seleções.
Mas o problema foi claro.
O trio formado por Morris, Berhalter e Weston McKennie não tem um volante de contenção de origem. São jogadores com características ofensivas mais fortes do que defensivas.
Sem esse perfil, o meio-campo ficou exposto, dessa forma Bruno Fernandes e Vitinha dominaram os Estados Unidos.
Jogadores como Johnny Cardoso, Tanner Tessmann e Tyler Adams seriam mais adequados para essa função.
Além disso, Christian Pulisic foi utilizado de forma mais centralizada, quase como um falso 9, algo que não deve se repetir e foi uma carta apenas para tentar recuperar o atleta, que ainda não marcou em 2026.
🏗️ Como a seleção dos Estados Unidos deve jogar na Copa do Mundo 2026
Se a ideia for manter o sistema híbrido, a base precisa seguir o que funcionou contra o Uruguai.
📋 Estrutura ideal dos EUA
Matt Freese; Alex Freeman, Chris Richards, Auston Trusty; Sergiño Dest, Aidan Morris, Sebastian Berhalter, Antonee Robinson; Weston McKennie, Christian Pulisic e Folarin Balogun.
Na prática:
- Freeman segue como peça híbrida
- Dest dá profundidade pela direita
- Antonee Robinson equilibra o lado esquerdo
- Morris e Berhalter continuam como motor do time
No ataque:
- McKennie atua pelo lado esquerdo mas com liberdade total para se movimentar no campo
- Pulisic é o principal criador e também tem liberdade de deslocamento
- Folarin Balogun é o finalizador
Jogadores como Tim Weah, Malik Tillman, Johnny Cardoso, Tyler Adams ficando de fora pode parecer “estranho”, mas a ideia não é colocar seus medalhões em campo “só por colocar” e sim fortalecer a intensidade do time para os 90 minutos, que foi um grande problema durante os amistosos.
Com esses atletas no banco e um esquema que permite a equipe alterar a formação apenas com poucas movimentações, os Estados Unidos ganham um banco de reservas poderoso para aguentar 90 minutos de intensidade.
Os primeiros 45 minutos são importantes para machucar o adversário e para isso, Pulisic e McKennie precisam estar em conexão, entrosados como Aidan Morris e Sebastian Berhalter. Os dois melhores jogador da equipe em sintonia, podem entregar chances nos pés do artilheiro Balogun e decidir um jogo já no 1° tempo.
🔁 Alternativa: o 4-3-3 com ajustes
Existe também um cenário onde os Estados Unidos precisam propor o jogo.
Nesse caso, o 4-3-3 é viável, desde que ajustado.
📋 Estrutura alternativa
Freese; Dest, Richards, Trusty, Robinson; Johnny, McKennie e Tillman; Weah, Balogun e Pulisic.
O ponto-chave é a presença de Johnny Cardoso.

Ele é o volante de contenção que faltou contra Portugal e permite que o restante do meio-campo jogue com mais liberdade.
Neste modelo, a equipe tem seus principais jogadores em campo, de forma organizada e em suas funções corretas, diferente do que vimos nos amistosos.
🔄 Variação com Tessmann
Dependendo do adversário, Tanner Tessmann pode assumir esse papel com uma função diferente:
- Com a bola: recua entre os zagueiros e forma linha de três
- Sem a bola: atua como volante tradicional
Essa variação:
- melhora a saída de bola
- protege contra contra-ataques mantém o equilíbrio sem mudar o sistema
Johnny não atua como 3° zagueiro naturalmente, Tessmann já fez essa função por clubes e até na seleção, então com ele, o time consegue sair de um 4-3-3 para um 3-4-3 muito forte e com facilidade, sem Tessmann, o time mantém a formação, talvez conseguindo alterar posições nos jogadores de ataque com Tillman, McKennie e Pulisic. Pela direita, Weah e Dest são uma forte dupla, ambos conseguem atacar e defender com intensidade.
📋 Convocação dos Estados Unidos para a Copa do Mundo 2026
A Data FIFA em Atlanta não definiu a lista final, mas deixou claro quem está pronto e quem ainda é aposta.
-
❌ Quem deve ficar fora do USMNT
- Patrick Schulte — dificilmente os Estados Unidos levarão quatro goleiros. Com Matt Turner e Matt Freese consolidados, a disputa pela terceira vaga fica mais para o perfil de Chris Brady.
- Miles Robinson — perdeu espaço no pior momento possível. Lesionado na Data FIFA, viu Auston Trusty e Mark McKenzie crescerem, além de Alex Freeman ganhar força como opção versátil.
- Cristian Roldán — teve oportunidade na reta final do ciclo, mas não conseguiu se firmar. Com o retorno de Tyler Adams, o espaço praticamente desaparece.
- Patrick Agyemang — até aproveitou suas chances, mas a lesão pesa. Mesmo sem isso, já estava atrás na disputa com Folarin Balogun e Ricardo Pepi.
✅ Quem deve entrar na lista final
- Sergiño Dest — titular absoluto. Mesmo com histórico recente de lesões, segue sendo peça-chave pelo impacto ofensivo e pela função no sistema híbrido.
- Tyler Adams — liderança e equilíbrio. É como resume Adams dentro deste elenco. A posição tem alta concorrência com Johnny e Tessmann, bem diferente do que já foi antes, quando Adams era o único. Mas isso não reduz a importância dele no elenco, já que é considerado o principal líder.
- Diego Luna — deixou de ser promessa. Foi um dos jogadores mais impactantes sob o comando de Pochettino e hoje surge como opção real para atuar ao lado ou no lugar de Christian Pulisic.

Fora da Data FIFA por lesão, Diego Luna voltou marcando — confirmando o impacto que já vinha tendo no ciclo do USMNT. 📸 Crédito: US Soccer ❓ Dúvidas na convocação dos Estados Unidos
Alguns nomes ainda geram questionamento dentro do ciclo do USMNT para a Copa do Mundo 2026.
- O principal caso é Giovani Reyna. A fase pelo Borussia Mönchengladbach é muito ruim, com poucos minutos e impacto quase nulo. Na Data FIFA, somou apenas 31 minutos e hoje já vê Malik Tillman e Brenden Aaronson à frente na disputa.
- Yunus Musah também perdeu espaço ao longo do ciclo. O talento segue evidente, mas o rendimento recente não acompanha, e hoje aparece atrás na hierarquia do meio-campo.
- Gianluca Busio respondeu bem quando teve oportunidades, mas o contexto pesa. Atuar na Serie B italiana reduz o nível de exigência, o que acaba influenciando na avaliação final.
- Jack McGlynn é talvez o caso mais difícil de explicar. Foi presença constante durante o ciclo, manteve bom nível e produção, mas simplesmente deixou de ser convocado, sem uma justificativa clara.
- Correndo por fora, Rokas Pukstas vive grande fase, já marcou pelo USMNT U21 e recebeu elogios da lenda croata, Ivan Rakitic. Ainda seria uma surpresa, mas o momento joga a favor.
- E existe também o caso mais sensível: Cavan Sullivan. Com apenas 16 anos, já impacta jogos mesmo com poucos minutos e lidera o Philadelphia Union em participações em gols na temporada. O talento é inegável, mas a falta de experiência ainda pesa. Para 2026, o cenário mais realista ainda é de preparação, não de protagonismo.

Cavan Sullivan já mira alto: o meia revelou em entrevista que quer estar na lista dos Estados Unidos para a Copa do Mundo 2026. O talento existe — a dúvida ainda é o timing. 📸 Crédito: Getty Images Zavier Gozo e Alejandro Zendejas também são nomes que interessam, mas correm bastante por fora, Zavier por ser nome importante no USYNT e Zendejas, quando teve sua chance com Pochettino foi bem, mas atuar no América pode pesar contra ele.
📝 Lista final projetada dos Estados Unidos
Goleiros: Matt Freese, Matt Turner, Chris Brady
Laterais direitos: Sergiño Dest, Joe Scally
Zagueiros: Alex Freeman, Chris Richards, Mark McKenzie, Tim Ream, Auston Trusty
Laterais esquerdos: Antonee Robinson, Max Arfsten
Volantes: Johnny Cardoso, Tanner Tessmann, Tyler Adams
Meias: Weston McKennie, Sebastian Berhalter, Aidan Morris
Meias ofensivos: Malik Tillman, Brenden Aaronson, Giovani Reyna
Pontas esquerdas: Christian Pulisic, Diego Luna
Ponta direita: Tim Weah
Atacantes: Folarin Balogun, Ricardo Pepi
Não é uma lista perfeita, mas é coerente com o que o USMNT mostrou até aqui.
🎯 O ponto principal
Mauricio Pochettino foi direto: os Estados Unidos não têm os melhores jogadores do mundo, mas isso não pode ser uma desculpa.
A seleção é competitiva. O que falta não é talento, é inteligência na forma de jogar.
E quando encontra o sistema certo, os Estados Unidos já mostrou que pode competir com qualquer adversário na Copa do Mundo 2026.