Campeão da MLS em 2021, o New York City vive desmanche e o Grupo City não sinaliza com trégua para o torcedor do clube azul de Nova Iorque; letargia nas contratações assusta

A fórmula do sucesso parecia estar fomentada no New York City. Jovens sul-americanos contratados em épocas passadas já haviam se consolidado no clube do Bronx e os frutos começaram a ser conquistados. Primeiro, a chegada da MLS Cup em 2021 após derrotar Atlanta United, New England Revolution, Philadelphia Union e, posteriormente, o Portland Timbers na grande decisão.

Vale ressaltar que o New York City adotou a mentalidade de “road warriors” com muito sucesso já que o clube bateu o Revolution, Philadelphia e o Portland longe de seus domínios.

A espinha dorsal do elenco do então treinador Ronny Deila era bastante conhecida de todos. No gol, a segurança de Sean Johnson, goleiro que, inclusive, integrou o grupo dos Estados Unidos na Copa do Mundo do Catar. Na defesa, a linha formada por Tinnerholm, Callens, Thiago Martins e Amundsen, protegidos por Nicolás Acevedo, se mostrava bastante confiável. Já no setor ofensivo, a experiência de Máxi Moralez aliada com os criativos Gabriel Pereira, Santiago Rodríguez e Talles Magno cansou de colocar o artilheiro Taty Castellanos na cara do gol.

Na temporada passada, o campeão New York avançou até a fase semifinal da CONCACAF Champions League. Acabou superado pelo eventual campeão Seattle Sounders após perder fora de casa por 3 a 1, pressionar bastante na partida de volta, desempenho insuficiente para chegar à grande decisão.

Já sem Castellanos  –  que já havia se transferido para o Girona, da Espanha  –  ainda viria a faturar a Campeones Cup, um caça-níquel da MLS com a Liga MX, mas que valia uma taça e ela acabou conquistada diante dos mexicanos do Atlas, no Yankee Stadium.

New York City
Jogadores do New York City celebram após a entrega da taça da Campeones Cup. (Reprodução/Twitter/Don Garber)
Desmanche

Se o goleador argentino fez as malas e rumou para a Espanha, o segundo semestre trouxe o entrosamento do brasileiro Talles Magno com Gabriel Pereira, Máxi Moralez e Santiago Rodríguez. Os quatro foram fundamentais para manter o New York City na luta pelo bicampeonato na MLS.

A equipe acabaria avançando até a semifinal da Conferência Leste, novamente contra o Philadelphia Union. Entretanto, ao contrário de 2021, na temporada passada o destino foi diferente e a corrida do New York City teve fim no Subaru Park.

A consequente eliminação abriu as portas para o desmanche do elenco que marcou época. Máxi Moralez teve seu pedido antendido e se transferiu para o Racing, da Argentina. Nicolás Acevedo foi anunciado pelo Bahia, enquanto, nesta segunda-feira (23), o New York City confirmou a saída do zagueiro Alex Callens  –  autor da cobrança de pênalti que sacramentou a conquista da MLS de 2021. No gol, Sean Johnson teve seu contrato encerrado em dezembro e ainda não definiu a sequência de sua carreira, mesma situação do uruguaio Santiago Rodriguez, ventilado no Bahia, mas segue ligado ao Torque, de seu país, enquanto não escolheu seu destino para este ano.

Meia do New York City deixa em aberto possível retorno ao futebol argentino em dezembro
Máxi Moralez liderou a debandada no New York City após o final da temporada de 2022 (Reprodução/Twitter/Maxi Moralez)

Até mesmo o confiável Héber, autor de 30 gols em 90 partidas pelo New York City, acabou seduzido pelo Seattle Sounders e a oportunidade de disputar o Mundial de Clubes da FIFA, em fevereiro

Reforços

Tradicionalmente, o New York City costuma causar ansiedade em seu torcedor. O clube não está entre os mais ligeiros da MLS para anunciar contratações e, até o presente momento, contratou o zagueiro Tony Alfaro, o lateral-direito Mitja Ilenic, além de renovar  o contrato do meia-atacante Matias Pellegrini. Três movimentações que não empolgam ninguém na torcida dos Citizens.

Até mesmo no campo especulativo, o clube se viu “tranquilo” em relação aos rumores de contratações. Apenas o lateral-esquerdo argentino Braian Cuffré, do Real Mallorca, da Espanha, surgiu como alvo do New York City. Mais um nome que não desperta excitação na torcida.

Matías Pellegrini passou pelo Inter Miami antes de chegar ao New York City. (Reprodução/Instagram/Matías Pellegrini)
Aposta nos brasileiros

Enfraquecido, o New York City sabe  –  ou deveria saber  –  que a temporada que começa no dia 25 de fevereiro se apresenta de forma complicada. Será preciso paciência no trabalho de Nick Cushing, interino em 2022 após a saída de Ronny Deila, mas confirmado para este ano.

E o pilar de sustentação de Cushing à frente do New York City passa muito pelo sucesso dos brasileiros do elenco do clube. Thiago Martins, um dos poucos defensores da MLS a receber salários acima do teto da liga – irá para sua segunda temporada e espera-se que lidere a defesa do time titular a ser escalado pelo técnico.

No ataque, sem Máxi Moralez e sua qualidade comprovada na armação do ataque, os Citizens apostam muito no trio Thiago Andrade, Gabriel Pereira e, principalmente, Talles Magno.

Thiago, reserva na maior parte em 2022, deverá ter mais minutos este ano com a saída de Santiago Rodriguez. Gabriel Pereira desponta como o sucessor de Máxi na armação, enquanto o clube aposta e espera que Talles Magno seja o grande diferencial no ataque.

O problema reside justamente neste ponto. Até quando Talles irá seguir focado em permanecer no New York City? Aos 20 anos de idade e indo para sua terceira temporada na MLS, Talles provavelmente almeja uma transferência para a Europa, idem para Gabriel Pereira, apenas um ano mais velho que o ex-jogador do Vasco da Gama e que, certamente, viu no NYCFC a chance de uma escada para o futebol do velho continente.

Some-se à isso a inexperiência de Cushing, em sua primeira experiência como treinador em uma equipe masculina após passar sete anos no comando do Manchester United feminino e ocupar cargos da comissão técnica do New York City.

Esta inexperiência, por exemplo, se tornou óbvia na seminfinal da Conferência Leste da temporada passada. Dominando o jogo contra o Philadelphia Union, na casa do adversário, Nick Cushing, inexplicavelmente, substituiu Gabriel Pereira, que vinha fazendo excelente jogo, colocando um volante para segurar a vitórias parcial de 1 a 0. Recuado, o New York City acabou cedendo a virada para o Union e viu sua temporada acabar ali.

Soma de fatores

Com todos estes ingredientes e vendo a situação atual do New York City nos bastidores, o clube poderia aparecer na lista de clubes que brigariam contra um possível rebaixamento na MLS, caso a liga estivesse alinhada com o restante do mundo do futebol.

É precoce dizer isto? Sim. Mas é bom que o torcedor do New York City esteja preparado para a difícil temporada que se apresenta. Enquanto isto, o perfil do clube segue fazendo postagens saudosas para cada ídolo que diz adeus.

(Capa: Reprodução/Twitter/New York City)

 

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Jornalista, moro nos Estados Unidos desde 2006. Gosto de viajar com a família, conhecer estádios e arenas. MLS é o futuro e eu posso provar!

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